Crescer ou Encolher - 03/09/2007  
 
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Crescer ou Encolher


Quem espera o mercado dar sinais claros de crescimento para iniciar os planos de expansão, dificilmente consegue pegar o bonde a tempo e inevitavelmente algumas oportunidades são perdidas, pois, é complicado acompanhar o ritmo dos negócios.

Existem investimentos que, além do custo financeiro, requerem uma maturação de médio e longo prazos. Muitas vezes produzem efeitos que alteram a cultura da empresa, os seus procedimentos e afetam diretamente a forma de atuação de seus representantes. Bons exemplos desses efeitos podem ser notados nos projetos de inovação tecnológica, de certificação de qualidade e de abertura de novos mercados. Interessante o axioma de que a capacidade de investimento seja um luxo restrito a um grupo seleto de grandes empresas.

Este raciocínio parece lógico. Uma grande empresa teria capacidade de alocação de recursos humanos e financeiros mais abundante, e portanto, poderia gerar melhores e maiores resultados. Certo? Minha opinião é que não deixa de estar correto, mas, o jogo é um pouco mais complicado do que isso. Grandes estruturas têm problemas proporcionais à sua dimensão e, normalmente, têm um tempo de reação mais demorado e possuem mais agentes envolvidos na comunicação entre o cliente e os tomadores de decisão. Uma estrutura maior tem custos fixos mais pesados, necessidade de diversificar seus investimentos, problemas de comunicação gerados pelo número de unidades e funcionários, e uma constante preocupação em não perder seu foco de atuação de negócios, face à variedade de clientes e regiões atendidas.

Basta pensarmos nas várias empresas de transporte que lideraram o mercado nas décadas passadas e que já não existem mais; certamente, não faltariam exemplos. Chegaremos a conclusão de que os líderes também têm desafios à altura de suas possibilidades. Hoje, a matriz que define a excelência e o sucesso de uma empresa, não depende de seu tamanho. Empresas que querem crescer deverão investir em temas como a renovação tecnológica, a governança corporativa, responsabilidade social e a globalização.

Algo é comum a todos: Devem aumentar sua produtividade e melhorar uso dos ativos, fazendo mais com os mesmos recursos. É uma postura que serve tanto para os momentos de crise, quanto para os momentos de crescimento acelerado. Na crise, conseguimos atender a demanda, mesmo reduzindo funcionários e veículos, por exemplo. No crescimento do mercado, conseguimos aumentar de tamanho pelo uso mais inteligente dos ativos que foi alcançado. Vale lembrar que pode haver crescimento mesmo em época de escassez de veículos e de terceiros, agregados e carreteiros.

Este processo deve ser iniciado em algum instante. É sempre mais confortável se preocupar com estes assuntos em dias de vacas gordas. Entre correr para crescer e sofrer ao perecer, já que os dois trazem problemas, é melhor ficarmos com a primeira opção.

No mês passado um de nossos clientes indicou nossa solução a seu amigo. Trata-se de uma empresa de menor porte e que estava em dificuldades financeiras. O conselho que nosso cliente deu ao amigo sedimenta bem o que tentamos dizer neste artigo: “a primeira coisa que você deve fazer é adquirir um bom sistema de gestão, que te permita analisar sua operação e identificar onde você está gastando desnecessariamente. Apontar as operações deficitárias e evidenciar os custos que podem ser enxugados, para você poder tomar as decisões certas”. O amigo em dificuldades reclamou: “mas você está sugerindo que eu gaste mais num momento em que não estou conseguindo nem pagar as contas atuais?”.

Este caso evidencia que o amigo esta protelando decisões que, na verdade, já deveriam ter sido tomadas há algum tempo. Cada gestor tem consciência, ou pelo menos desconfia, de algumas providências que precisam ser tomadas e que são eternamente adiadas. Até que chega o dia em que se perde dinheiro, seja na onda de crescimento mal aproveitada, ou na sobrevivência no período da crise.

É como aquela frase do Chico Xavier: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.

Nuno Figueiredo
Signa
Diretor
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