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QWERTY


Você está mui provavelmente lendo este artigo num computador que usa um teclado QWERTY. Esse nome deriva do fato dele começar pela letra Q, seguido pelo W e assim por diante.

Inusitada é a história do mesmo. Houve um tempo em que se usava a máquina de escrever mecânica. Cada tecla tinha uma haste de ferro, e quando era acionada, marcava, pela força da batida na tecla, a letra pressionada no papel ao acertar uma fita colorida, disponível nas cores preto e vermelho.

Nessa época era comum o curso de datilografia. As secretárias aprendiam a digitar com os dez dedos e o faziam numa velocidade impressionante. O problema gerado era que as hastes enganchavam uma na outra, pela velocidade da digitação.

Como não havia tecnologia disponível para melhorar o processo, o jeito que os engenheiros deram foi piorar a velocidade da digitação. Eles analisaram as teclas mais utilizadas e refizeram o layout do teclado, para que estas fossem usadas pelos dedos menos ágeis. Por isso a letra A fica no canto esquerdo, para ser acionada pelo dedo mindinho.

O inusitado é que este layout persiste até hoje por um motivo simples: compatibilidade. Todo mundo já está acostumado a usar desta forma e foi estabelecido um padrão. Se algum fabricante inovar o teclado, ninguém compra.

Já na máquina de escrever eletrônica e depois no computador, o problema não existe, mas é mais fácil mudar uma tecnologia ou um produto do que mudar um usuário. É necessária uma quebra de paradigma para quebrar um hábito coletivo.

Isto não ocorre somente com produtos. Visite o metrô de São Paulo na hora do rush e você verá que todos os caixas estão fechados e se forma uma longa fila no único caixa aberto. Como não dá para melhorar a infra-estrutura de acesso, que nos horários de pico não dá a vazão necessária, aplica-se o mesmo princípio de gerar um gargalo para que o sistema não entre em colapso.

Procure ao seu redor e você verá muitas aplicações deste método Qwerty de resolver problemas. Pode não ser a melhor forma, mas ela é no mínimo criativa.

Eu só não sei se a mania que muitos têm, eu inclusive, de bater com força no teclado vem desse tempo, onde a impressão dependia de alguma força nos dedos. Mesmo quem nunca viu uma máquina de escrever mecânica, tem esse hábito. Se alguém souber, me deixe saber.


Nuno Figueiredo
Signa Consultoria e Sistemas
Diretor Comercial
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