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Nas nuvens sem paraquedas


Acessar os seus dados, programas, arquivos e fotos de qualquer lugar a qualquer instante e em qualquer máquina. Este sonho antigo está sendo chamado de computação nas nuvens. O termo "nuvem" se refere à transparência de onde esses programas e dados ficam armazenados. Você não sabe! Eles estão em algum lugar não conhecido. Você não consegue auditar isto. Você apenas confia ou não que será armazenado de forma segura e que somente você poderá ter acesso.

Pergunte ao Google onde estão os servidores que armazenam os dados do Picasa, do Orkut ou do gMail. Eles não dão essa informação, é confidencial. Segredo de Estado. Alguns artigos comentam que existe até um datacenter que reside num navio, ou seja, aquela sua foto pode até estar armazenada em algum lugar do pacífico.

Esse movimento de computação nas nuvens é uma tendência. Está tirando o sono dos executivos da Microsoft. O modelo de negócio deles se baseia hoje em sistema operacional e aplicativos que são vendidos e instalados localmente.

Há vários anos já existem ofertas de sistemas que rodam na Internet. Seus dados ficam num datacenter (conhecido) e a única preocupação da empresa é usar e ter um bom link disponível. O backup, a contingência, a configuração, administração de banco de dados e outras tarefas ficam transparentes para a empresa e para os usuários, e a custos acessíveis.

Recentemente, eu adquiri um HD externo. Muito bom. Fiz um backup inteiro do meu notebook de forma rápida e confiável. Poucos dias depois eu troquei de notebook. Recuperar as minhas informações, instalar os programas que mais utilizo e configurar as minhas preferências, foi tarefa para um dia inteiro.

Aí veio o pior. Uma manutenção errada do suporte apagou, por falha humana, todos os meus arquivos. Perdi 10 dias de informação. Graças ao meu backup no HD externo, somente 10 dias foram perdidos. O que eu não perdi? O que estava nas nuvens. Meus e-mails do gMail, minhas fotos, alguns documentos. O que havia de novo no período do acidente foi perdido, exceto o que estava fora da minha máquina.

Não existe mais, a priori, nenhuma necessidade de termos um computador que armazene nenhum dado. Isto parece ser resquício de um passado que ainda vai permanecer em cena, mas que tende a sumir.

O futuro está nas Nuvens. O problema é que mesmo nas Nuvens, algumas boas práticas, como manter um bom backup, permanecem. Nada é infalível, e tenho lido alguns artigos que relatam casos de pessoas que perderam os seus dados no Google. Neste caso, você estará nas nuvens sem paraquedas, de uma hora para outra as suas informações deixam de existir.

Acontece. Mas eu insisto que é mais fácil, muito mais fácil, você perder dados e informações que estão sob os seus cuidados do que as que estão nas nuvens. Uma simples ocorrência como o roubo de um notebook e a desgraça está feita.

O tempo que perdemos para baixar programas, instalar aplicativos, configurar as preferências, etc, é totalmente perdido quando se troca de equipamento. Este custo não existe nas nuvens, apesar de lá não ser só o céu de brigadeiro, acho que é uma tendência positiva.

Algumas coisas, entretanto, não mudam, como por exemplo, descobrir uma forma eficiente de perder menos tempo e ter menos interrupções com o uso do e-mail. É impressionante o tempo médio que gastamos lendo a correspondência eletrônica, seja nas nuvens ou fora delas.


Nuno Figueiredo
Signa Consultoria e Sistemas
Diretor Comercial
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