A Rotina - 07/12/2009  
 
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07/12/2009 - A Rotina

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19/09/2007 - Terceirização

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03/04/2007 - As Coisas Simples Que Não Fazemos

09/01/2007 - Disciplinamento do Transporte Rodoviário de Cargas

12/07/2006 - Lições Estratégicas Para Dirigentes Executivos

27/06/2006 - O Tal do Feedback

14/06/2006 - Informática Al Dente

18/11/2005 - Tecnologia da Informação

13/12/2004 - Aliança Oferece Soluções Logísticas Integradas

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15/08/2003 - Logística e Internet

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20/05/2003 - Software é Serviço Agregado

07/03/2003 - Analisar e Processar

18/02/2003 - Peopleware

31/01/2003 - Um Novo Olhar Sobre a Redução de Custos

A Rotina


Quem inventou esse conceito de ano foi um gênio. Brilhante a ideia de espaçar o tempo em períodos de 365 dias. Na verdade temos na história vários calendários, e o atual, o gregoriano, é uma melhoria do que foi inventado na época do Império Romano. Mas isto não é o mais importante. O que chama a atenção é o conceito de terminar uma etapa da vida e entrar no Revellion, no despertar de um ano novo, onde sonhamos com uma nova vida. Parece que tudo vai ser diferente, simplesmente porque vai virar o ano. Não é genial?

O ano passa cada vez mais rápido. De alguma forma a distância entre um Natal e o outro está mais curta. Vivemos de fato a era da velocidade, mas acho que o sentimento de velocidade no tempo está mais ligado à rotina.

Por exemplo, quando aprendemos a dirigir, o nosso corpo demora a se acostumar e a ter fluência no manejo dos pedais, da marcha, do volante e dos espelhos. Com algum treino os movimentos vão ficando mais naturais e mais rápidos. Ainda assim, nas primeiras vezes que saímos com o carro, existe um alto grau de insegurança e uma atenção redobrada a cada etapa do percurso.

Inconscientemente, nós mentalizamos cada etapa do processo: vai abrir o farol, vou pisar na embreagem, vou colocar em primeira marcha, vou soltar o pé do freio, e lentamente vou tirando o pé da embreagem, ao mesmo tempo em que inicio uma pressão no acelerador.

A repetição faz com que a sequência seja aprendida e registrada. A partir deste momento ligamos o piloto automático, e simplesmente entramos num carro e dirigimos. Existem partes do nosso cérebro que estão coordenando todas estas atividades, mas isto já não está mais no consciente e dirigimos da mesma forma como andamos e respiramos, como se isso já fosse uma habilidade nativa.

Isto também ocorre com o trajeto. Todo dia repetimos um itinerário. De casa para o trabalho e do trabalho para casa. Este caminho já foi percorrido tantas vezes que já existe também um programa de piloto automático para ele. Você entra no carro e parece que ele vai sozinho. Pode ligar o rádio e pensar em qualquer outra coisa, menos se tem que virar a direita ou ir em frente, porque a nossa poderosa máquina pensante já aprendeu essa rotina e ela parece nos dizer que podemos nos preocupar com outro assunto, porque esse, como se diz na gíria do funk: “tá dominado”.

O resultado disso é que não vemos esse tempo passar. Simplesmente não prestamos atenção, porque estamos no automático. A rotina garante que o corpo e a mente aprendam com a repetição e nos livram desse controle consciente. Talvez por isso que todo dia o ritual de acordar, tomar banho, etc., até sair de casa, seja algo que fazemos mesmo que meio dormindo, porque não precisamos pensar muito a respeito, basta levantar da cama e o piloto automático faz o resto.

Não que isto seja ruim. Na verdade isto é um diferencial que talvez tenha ajudado muito na sobrevivência da espécie, mas tem um forte efeito colateral: quando instalamos a rotina no nosso cotidiano, não vemos o tempo passar, porque estamos diariamente acionando nosso piloto automático, mudando de forma inconsciente, de um programa para o outro. Quando a gente percebe já é Natal de novo, e nesse instante a gente para e reflete: “Nossa, passou voando”, quando na verdade talvez seja exatamente o contrário.


Nuno Figueiredo
Signa Consultoria e Sistemas
Diretor Comercial
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