Os robôs que vão colocar a Kroger no jogo do ecommerce

Sexta-feira, 18 de maio de 2018
Fonte: Brazil Journal

O setor de supermercados viu hoje mais um casamento no altar da logística – uma tendência que está redefinindo os modelos de negócio do varejo.

A Ocado, um supermercado britânico 100% online, viu suas ações explodirem nesta quinta depois de anunciar um acordo com a Kroger, a segunda maior rede de supermercados americana.

A Ocado possui armazéns ultra hi-techs que usam robôs e inteligência artificial para entregar produtos fresquinhos em poucas horas. Os robôs otimizam o processo de 'fulfillment': não amassam as frutas e legumes e são capazes de encher uma caixa de compras com 50 ítens em minutos.

No Reino Unido, a Ocado processa 260 mil pedidos por semana, com 99% de acerto e 0,7% de perdas. Seu mais novo armazém “emprega” mil robôs que se locomovem usando tecnologia de navegação aérea.

A Kroger pretende levar essa tecnologia para os EUA. Em três anos, quer construir 20 armazéns futuristas. Para garantir a exclusividade em solo americano, a rede centenária de Ohio adquiriu 5% da Ocado por US$ 250 milhões.

A Kroger possui 2.800 lojas e faturou US$122 bilhões ano passado. A Ocado fatura cerca de US$ 2 bilhões.

Nos últimos seis meses, a Ocado firmou outros quatro acordos de soluções de tecnologia, incluindo com o Casino, controlador do Pão de Açúcar.

Para a Kroger, a tecnologia da Ocado é um atalho inteligente para enfrentar a Amazon e o Walmart na briga do ecommerce. Os supermercados americanos ainda engatinham no digital: o faturamento online não passa de 2% de um total de US$ 650 bi. No Reino Unido, o ecommerce já movimenta 7% das vendas de supermercado.

A Amazon entrou pra valer no segmento com a compra Wholefoods por US$ 13,7 bi. O Walmart está reformulando sua plataforma e vai lançar um novo site em breve – além de ter comprado a Flipkart na Índia por US$ 16 bilhões. (O sortimento da Flipkart vai além de um supermercado.)

Quem não ficou feliz com o acordo de hoje foram os short sellers da Ocado, que perderam US$ 382 milhões, segundo a Bloomberg. A tese short é baseada nos investimentos em tecnologia, que são pesados, e no fato de que, apesar de toda a hype, a Ocado entrega pouco resultado. As vendas cresceram 12,4% no ano passado, mas o lucro foi pífio: US$ 1,35 milhão.

As ações da Ocado chegaram a subir 80% e terminaram o pregão em alta de 44%. A companhia agora vale US$ 6,7 bilhões. Ninguém sabia, mas ela estava em promoção.

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