Acordei a madrugada inteira de sexta para sábado, ouvindo aquela chuva que Pedrão mandou. 5:45 da matina e a primeira mensagem: e ai, vai rolar mesmo? Vai, vai sim.

No dia anterior às construções, as famílias, numa confiança que me emociona, desmontam suas próprias casas para dar lugar à casa que construiremos. Ou vai ou vai, não tem volta.

No horário marcado lá estávamos, de martelo e trenas em punho. Debaixo de chuva, descemos a escadaria que leva ao São Francisco. Olhares apreensivos. “Em qual furada essa louca me meteu?” era o pensamento unânime.

sanfran

A chuva não perdoou, mas Pedrão não contava com nossa astúcia. Aos poucos, os olhares apreensivos foram dando lugar aos olhares guerreiros. Na pausa do almoço, o melhor feijão ever, temperado com a nossa fome e com a simpatia e a gratidão da nossa família (sim, a nossa família). Encharcados, vencemos as dores, o frio e o cansaço e terminamos o primeiro dia com a meta atingida e o piso colocado. Orgulho monstro de todos.

No segundo dia, o espírito já era outro. Sem chuva, mas com muita lama, conseguimos finalizar a casa, com muitas risadas, momentos divertidos, leveza no ar. O olhar da Priscila e do Everson quando perceberam que ia dar certo não teve preço. Com bexigas e sorrisos, entregamos a casa, cansados e felizes, tranquilos e extasiados.

A forma como todos abraçaram estes dois dias me faz acreditar que tudo vai dar certo. Que as pessoas só precisam de uma chance e de um peteleco pra mudar e pra construir o mundo onde querem viver. A revolução interna pode ser invisível aos olhos, mas neste final de semana meu coração teve certeza que ela passou por ali.

Essencial

Se você lembrou da gente nos momentos de chuva e torceu por nós, sua energia nos ajudou a não esmorecer e uma família está mais seca e quente hoje por conta disso. Obrigada.

PS.: Amanhã atualizo com a foto mais importante deste post! Aguardem e confiem.